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quinta-feira, 10 de março de 2011

O Teatro de Bonecos na Igreja - III

Uma Quase História do Teatro de Bonecos - II

Mestre Zé Lopes, mamulengueiro que é puxou a brasa pra sua sardinha e encontrou a origem do mamulengo na senzala. Mas, quando surgiu o teatro de bonecos no Brasil?
Dada a impossibilidade de se pontificar numa linha temporal o nascimento do teatro de bonecos, podemos encontrar citação de sua utilização no Rio de Janeiro, na obra do historiador Luiz Edmundo – O Rio de Janeiro no Tempo dos vice-reis. – Ainda assim, é mais fácil crer que os responsáveis pelo enraizamento do teatro de bonecos no cenário nacional, tenham sido os europeus através das invasões, de tal forma está arraigada a figura do brincador a cultura do nordeste. Ouso dizer que o mamulengo é a mais tradicional forma de expressão do teatro de bonecos.
Sem a intenção de chocar, mas, apenas para pontuar uma realidade, faz-se necessário declarar que o teatro de bonecos, não é primordialmente um teatro para crianças. Tendo crescido sob os refletores da sátira e da crítica às forças dominantes, fossem elas igrejas, reis ou ditadores, e isto graças as possibilidades de expressões únicas ao boneco. O teatro de bonecos só adquiriu uma visão mais voltada a criança após os dois grandes “baby boomers” pós 1a e 2a grande guerra. Mesmo porquê, a criança, como ser que precisa de proteção e de cuidados especiais, só veio existir muito depois do teatro de bonecos. Em Esparta a criança era tirada de seus pais com sete anos e aos doze anos já iniciava o seu treinamento militar.
“A criança, logo após o nascimento, era examinada pelos éforos. Estes, como supremos guardiães do Estado, tinham o poder de decidir o destino do recém-nascido. Caso possuísse algum defeito físico ou uma saúde debilitada, a criança era condenada à morte e o sacrifício se realizava atirando-a do alto de um penhasco. A criança fisicamente apta permanecia junto à família até os sete anos. (...). Aos 12 anos, ia viver em acampamentos, dedicando-se ao treinamento físico e à formação militar”.1 
No mundo evangélico, os bonecos têm sido usados, missionários que são, como instrumentos de aproximação das diversas sociedades e povos por onde se encontram. Eis que a linguagem do boneco transcende a verbalização. Os missionários forma  a base do teatro de bonecos cristão.
Considerando que o boneco evangélico, por ter o objetivo principal de evangelizar, manteve-se preso por muito tempo ao seu meio, o que dificultou o seu desenvolvimento. Quadro que muda ligeiramente no final dos anos 80, quando acontece a grande explosão do redescobrimento do teatro de bonecos no Rio de Janeiro. Movimento que tem como representante evangélico o grupo Luz do Mundo de Teatro e Bonecos, formado por professores, artistas plásticos e pessoas com capacitação em teatro, em busca de especialização em teatro de bonecos, que, em alcançando, passa a difundí-lo através de cursos ministrados a igrejas, não sem antes serem admitidos como de fato bonequeiros, inclusive ocupando espaços culturais oficiais da cidade, como o espaço do teatro de bonecos no Flamengo, e a participar junto com diversos outros artistas do movimento contra a miséria e a fome, promovido pelo sociólogo Betinho, na praça Saens Peña.
A retomada ao boneco nos finais dos 80, e início dos 90, do século passado, além da retomada folclórica, trouxe novas formas do teatro. Um teatro capaz por si só de se manter em cena como o fez Mauro César e Cia no Teatro Glauber Rocha, com seus bonecos de espuma. Um teatro que justificasse propaganda televisiva como o Norte Shopping o fez para Javarini e seus bonecos de pano. Um teatro vencedor de prêmios como Mozart Moments; ganhador do prêmio Coca-Cola de Teatro Infantil, de 1991, do grupo Sobrevento com sua heterogeneidade Atores/Bonecos e pesquisa histórica. Um teatro que justificasse estúdios fonográficos como A Formiga Olga e Outros Bichos, do grupo Luz do Mundo de Teatro e Bonecos. Um teatro exclusivamente didático, como os de Maria das Dores Dalpiaz e seus bonecos grávidos e projeto escola.
Apesar de todas as novas (velhas) técnicas de manipulação, e confecção (novas) que tiveram como principais agentes difusores o grupo Sobrevento (Teatro de Animação); Mauro César (Confecção); Javarini (Confecção/Manipulação); no início dos anos 90, o teatro de bonecos apesar dos novos elementos plásticos, continua com a mesma velha magia. O que me faz lembrar Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach): “Esta forma de voar sempre esteve aí, para quem estivesse disposto a descobrir”. E me faz concordar com Betsy Brown: “O boneco é tão antigo quanto o homem e tão moderno quanto a tecnologia da informação. Ele (representou) antes do homem fazê-lo; ele está conosco para servir, divertir, inspirar, ensinar, para nos ajudar a evitar a demência (...).”
Dada a condição singular apresentada por Betsy e Bach, acima, pergunto eu: Que tal aprender uma ou duas coisas a respeito do teatro de bonecos e voltar aqui para compartilhar conosco?
No próximo artigo vamos ver para que serve o boneco e como utilizá-lo. Até mais.

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