Bem Vindo

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Você já foi a Veneza? Não! Então vá.


 Vá a Afuá. A Veneza Marajoara, ou Veneza amazonense, como ela gosta de ser conhecida. Esse titulo é orgulho da cidade, que é envolta por grandes afluentes do amazonas. A cidade, constituida basicamente por palafitas, é inundada pelas aguas no período das chuvas. Na verdade o mesmo ocorre na estiagem, pelo movimento das marés que inundam as várzeas.
Outro orgulho da cidade são as suas bicicletas. Lá não há veiculos motorizados. Por isso ao pegar um taxi é bom está em forma, pois ajudará a pedalar (Clique e Veja).
E, nem pense em utilizar a bici-ambulância, apesar que uma "sirene vocal" possa  ser menos agressiva do que as outras, nas grandes cidades.
Contudo, um bom motivo para você ir a Afuá, não é ver as bicicletas, visitar a Veneza Brasileira, ou ver as palafitas,
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e sim para testemunhar de Deus e glorificá-lo pelas coisas que ele está fazendo lá.
Em 30 de setembro, com a inauguração do Centro de Vida em Afuá, A MEAP passa a ter uma base local para dar continuidade à  evangelização das comunidades ribeirinhas do baixo amazônia.





Esperamos que você esteja conosco em algum momento, nesta celebração à Vida em Afuá. Quem sabe possamos, juntos, ser parte da candeia que ilumina o caminho dos ribeirinhos que navegam rumo à eternidade.


O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Estivemos em Afuá

image444Você já cantou aquela cantiga de roda que diz: "Fui ao tororó beber água e não achei...", pois bem, quem vai a Afuá, acha água. E como não achar? Afuá é uma ilha no extremo do Pará, pertencente ao arquipélago do Marajó, bem próximo à Foz do Amazônia. Daí, ter a certeza de que água, por lá, é o que não falta.
O Afuaense, pareceu, aos meus olhos, o sujeito caboclo, descendente indígena, pele tom de açaí, que é o fruto da terra, principal fonte de alimento. Come-se açaí com farinha, açaí com peixe, açaí com camarão, açaí com açúcar, açaí com pão, bem se come açaí em tempo e fora de tempo.
clip_image002Perguntei o que quer dizer Afuá, aliás, qual a origem do nome. Seu Zé Agostinho me contou a seguinte história. Conta-se, que certo marreteiro, que andava por essas bandas, certa noite parou para descansar a beira do rio, e acordou de madrugada com um boto saindo da água, e quando um boto sai da água o boto bufa, "afuá!", então ele resolveu chamar o lugar de Afuá. Assim muitos dizem que quem batizou a ilha foi o boto, "afuá!". Bem, assim me contou seu Zé Agostinho, quem quiser que conte outra. Mas, que eu ouvi, eu ouvi lá em Afuá.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Saúde Quilombola

Coisa que gosto, quando estou no quilombo, é olhar para cima à noite e ver que as estrelas estão todas ali, no mesmo local que Deus colocou desde a fundação do tempo. O tempo que estamos no quilombo, parece-me o século passado, e talvez vá além. As lamparinas acesas o fogão a lenha a nos esquentar, a cozinha é o local onde prefiro pendurar minha rede. Pergunto como eles puderam viver isolados por tanto tempo, longe de todos os benefícios do tempo atual.
Tempos atrás as matas forneciam todos os medicamentos necessários, mas agora, em tempos modernos, e o isolamento nem tão grande assim, já há algumas estradas, trouxeram a dependência do remédio de farmácia, os jovens já não reconhecem na mata a farmacopéia necessária para a cura de diversos males menores. Conversando com as pessoas, muitas conheciam remédios caseiros para a gripe, infecções e dores de barriga. Porém, quando estavam doentes, reclamavam de febre e dores no corpo e não tomavam os seus próprios medicamentos.
Dona Procópia do Riachão explica: “Depois que começaram a ir no doutor [na cidade] ninguém confia mais nos remédios daqui. Ninguém sabe mais como cortar raiz de pau. Antigamente assim, quando menino tava doente eu ia pra roça atrás de planta assim e fazia aquele mexido com planta assim e ficava todo mundo bom. Hoje dá até medo de dar chá pros meninos.”
Esta desvalorização de sua cultura antiga, espelhando-se na cultura das cidades vizinhas e achando que esta é melhor do que a sua própria é um fato real e alarmante em vários pontos. Ao invés de cultivarem certos aspectos benéficos de sua cultura, os kalungas querem viver como as pessoas da cidade, deixando para trás tudo que tenha a ver com o seu passado de repressão e discriminação.
Enquanto isso as condições de higiene ou o conhecimento de higiene permanece nos tempos antigos. O arroz é pilado, a água, sem tratamento é tirada de rios e guardada em baldes ou botijões, poucas vezes filtro e se filtro, sabe-se lá as condições da vela, o gosto do cloro na água não foi assimilado pelas crianças, os poucos pontos de água encanada é a mesma água in natura do rio, a vantagem é não ter que caminhar légua com o botijão na cabeça, trabalho em geral devido às mulheres.
Pensamos, muitas vezes que precisamos ter acesso rápido ao médico, mas, sabemos que a medicina curativa é muito mais cara que a preventiva, sendo assim, nos grandes centros, vamos aprendendo quase que naturalmente a preventiva, sendo que aqui, a preventiva muitas vezes, e na maioria das vezes, parte de pequenas mudanças de hábitos que podem ser encaradas como mudanças culturais e/ou comportamentais, e que por isso são muito difíceis de serem implantadas. Todos sabemos como é bom consumirmos uma água saudável e de boa qualidade, e quanto protegidos de diversas doenças e males por termos este saudável hábito, mas como infundir isso no quilombola, como incutir que a adição de uma pequena dose de cloro a água, fará muito mais do que alterar o sabor da água, matará diversos “inimigos invisíveis” capazes de causar diversas doenças e males.
Ano passado, após a visita presidencial uma força tarefa do exército e diversos órgãos estaduais, federais e Ongs, estiveram em alguns pontos do quilombo fazendo diversos exames médicos, e se foram, eles, os medicamentos que foram dados, e os conhecimentos. Tem sido assim tratada a saúde do quilombola, os órgãos vêem, sejam quais forem, fazem exames, distribuem medicamentos e se vão, a famosa medicina “paliativa”. Ficamos felizes quando eles vêem, mas creio, eu particularmente, que mais poderia ser feito. Principalmente porque, por incrível que pareça, as pessoas voltam a adoecer.
Há uma missão que fez mais, que apesar de ter ido, permanece. E como falam dela com saudade. É a Asas de Socorro, que além de vir, trazer os médicos, fazer os exames, e dar os medicamentos, treinaram diversos quilombolas de Cavalcante, Vão do Moleque, e Monte alegre, Tinguizal, como agentes de saúde, alguns deles aproveitados, os de Cavalcante. Mas o conhecimento que lhes foi dado, não se acabará. Inclusive, conta-me o quilombola Osaldo que já usou seus conhecimentos, infelizmente, por duas vezes para socorrer duas de suas meninas. Digo infelizmente por ter sido obrigado a usá-los, e felizmente por tê-los para usar.
É triste saber que o que na cidade é uma simples gripe, aqui é um atalho da pneumonia. E não é somente a falta de médicos, meio de transporte para se chegar a cidade, falta de medicamentos, alimentação pobre que mata, e sim a falta de informação.
A quantidade de agentes de saúde na região quilombola são ínfimos.
Não basta ter conhecimentos, e sim aplicá-los e transferi-los. Temos esta esperança. Que se pense menos na cara medicina curativa e paliativa e se aplique a medicina preventiva que não pare nos agentes, mas que se transfira à população. Afinal, quem melhor do que você próprio para cuidar da sua saúde. Ou como diria minha avó, quem usa o sapato é quem sabe onde lhe aperta o calo.
Natan Dias.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quilombolas

Quando falamos em quilombo em geral retornamos ao tempo da escravatura e temos por definição a imagem de escravos que fugiam e se escondiam nas matas, num lugar de difícil acesso para os caçadores que iam a sua busca. A palavra “quilombo” é originária da cultura banto, (kilombo, aportuguesado quilombo), de língua umbundu/quibundo e significa: lugar cercado e fortificado, arraial ou acampamento, e poderíamos acrescentar lugar isolado, refúgio de negros.
O conceito mais atual e muito utilizado para definir o que vem a ser remanescentes de quilombo é a definição da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) surgida em 1994, que diz ser quilombo: “Toda comunidade negra rural que agrupe descendentes de escravos vivendo da cultura de subsistência e onde as manifestações culturais têm forte vínculo com o passado.”
Pois bem, esta introdução é apenas para dizer que aqui neste cantinho estaremos discorrendo principalmente sobre a comunidade quilombola Kalunga, localizada no nordeste goiano, a maior área de remanescentes de quilombos do Brasil, ocupando uma área de 253.191,72 hectares englobando os municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás.
Em março de 2004 a cidade de Cavalcante foi palco do lançamento por parte do Presidente Lula, do programa Brasil Quilombola, que se propõe a um “conjunto de ações que visam alterar, de forma positiva, as condições de vida das comunidades remanescentes de quilombo”, que por surpreendente que seja são 743 comunidades oficialmente registradas (2004). Dado um ano do lançamento do programa, a presença do governo é bastante ostensiva na região, mas os resultados ainda não se fazem sentir, afinal são aproximadamente 200 anos de reclusão e isolamento, e poucas décadas de se desejar, se fazer e ser brasileiro com todos os direitos a cidadania como todo e qualquer outro cidadão. A esperança é de que com a inclusão social e a aquisição de direitos básicos, não sejamos negros ou afro-descendentes e sim integralmente brasileiros. Por enquanto, permanecemos quilombolas.